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Cálculo renal (pedra nos rins): causas, sintomas e como prevenir — guia completo

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25 de junho de 2026

10 minuto(s) de leitura

rins Saúde tratamento renal

Revisado por Dr. Marcelo Lopes, CRM (Bahia): 16939 — Nefrologista | Atualizado em junho de 2026

O cálculo renal, popularmente conhecido como pedra nos rins ou nefrolitíase, é uma das doenças urológicas mais comuns: estima-se que entre 4% e 15% da população mundial desenvolva ao menos um episódio ao longo da vida. No Brasil, a prevalência é estimada em 5% a 10%, com maior incidência no sexo masculino.

A condição ocorre quando substâncias minerais presentes na urina se concentram e formam cristais dentro do sistema urinário. Embora alguns cálculos permaneçam sem causar sintomas, outros provocam dor intensa, conhecida como cólica renal, além de complicações sérias quando não tratados.

A boa notícia é que, em muitos casos, hidratação adequada e mudanças nos hábitos de vida podem ajudar a reduzir significativamente o risco de novos episódios.

Neste artigo:

O que é cálculo renal 

O cálculo renal, também chamado de litíase renal ou nefrolitíase, é uma condição caracterizada pela formação de cristais e depósitos minerais sólidos dentro dos rins ou de outras partes do trato urinário.

Dependendo da localização, os cálculos podem ser classificados como:

  • renais, quando estão localizados dentro dos rins;
  • ureterais, quando estão no ureter, canal que conecta o rim à bexiga;
  • vesicais, quando estão na bexiga.

Como as pedras nos rins se formam 

A formação dos cálculos acontece quando substâncias presentes na urina (como cálcio, oxalato e ácido úrico) atingem concentrações elevadas e começam a se cristalizar. Paralelamente, a diminuição de substâncias inibidoras da cristalização, como o citrato, também favorece o processo.

A baixa ingestão de líquidos é um dos principais fatores envolvidos, pois torna a urina mais concentrada. O consumo excessivo de sal e proteínas e as infecções urinárias recorrentes também contribuem para a formação dos cálculos.

Principais tipos de cálculo renal 

Os cálculos renais podem apresentar diferentes composições. O oxalato de cálcio e fosfato de cálcio são o tipo mais comum, responsáveis por cerca de 80% dos casos. Os demais tipos incluem:

  • ácido úrico (10 a 15%);
  • estruvita (5% a 10%), frequentemente associado a infecções urinárias recorrentes;
  • cistina (raro, 1% a 2%), relacionado a uma doença renal hereditária.

A identificação do tipo de cálculo, preferencialmente por análise laboratorial após sua eliminação ou remoção, é fundamental para definir estratégias de tratamento e prevenção personalizados.

Sintomas de pedra nos rins 

Os sintomas variam conforme o tamanho, a localização e a movimentação do cálculo. Cálculos maiores, paradoxalmente, podem não causar sintomas por ficarem estáticos nos rins. Já cálculos menores costumam provocar quadros dolorosos intensos ao se deslocarem pelo sistema urinário.

Os sinais mais frequentes incluem:

  • cólica renal intensa (dor lombar aguda de início súbito, considerada uma das dores mais intensas da medicina);
  • dor lombar persistente;
  • sangue na urina (hematúria);
  • ardência ao urinar (disúria);
  • aumento da frequência urinária;
  • náuseas e vômitos;
  • febre (sinal de alerta para infecção associada);
  • infecções urinárias recorrentes.

A cólica renal ocorre quando o cálculo sai do rim e obstrui o ureter, canal responsável por conduzir a urina até a bexiga. Quando acompanhada de febre, representa uma emergência urológica e exige avaliação médica imediata.

Quem tem mais risco de ter cálculo renal 

Algumas características e condições estão associadas a um maior risco de desenvolver pedra nos rins. Entre os principais fatores de risco estão:

  • baixa ingestão de água (principal fator modificável);
  • alimentação rica em sal e sódio;
  • consumo excessivo de proteínas animais;
  • obesidade;
  • sedentarismo;
  • diabetes;
  • histórico familiar de cálculo renal;
  • alterações anatômicas do trato urinário;
  • infecções urinárias recorrentes;
  • sexo masculino (incidência até 3 vezes maior que em mulheres);
  • idade entre a terceira e a quinta décadas de vida (pico entre 30 e 50 anos);
  • viver em regiões de clima quente (a temperatura elevada aumenta a perda de água pelo suor, concentrando a urina).

Como é feito o diagnóstico 

A suspeita diagnóstica parte da avaliação clínica e do exame físico, com atenção especial ao padrão e à localização da dor.

O exame de imagem mais indicado para confirmar o diagnóstico é a tomografia computadorizada de abdômen e pelve sem contraste, que identifica cálculos de qualquer composição e fornece informações sobre número, tamanho, localização e densidade das pedras, dados essenciais para escolher o tratamento.

Em situações específicas, como crianças, gestantes e no acompanhamento de cálculos já conhecidos, ultrassonografia e radiografia também podem ser utilizadas.

Além dos exames de imagem, exames de sangue e urina completam a investigação e orientam a prevenção de novos episódios.

Quando fazer exames metabólicos para cálculo renal 

A investigação metabólica é um conjunto de exames laboratoriais que busca identificar alterações que favorecem a formação de cálculos. Ela é especialmente indicada em casos de:

  • cálculos recorrentes;
  • necessidade de intervenção urológica;
  • histórico familiar de cálculo renal;
  • crianças com cálculo;
  • pacientes com rim único;
  • presença de infecções urinárias associadas.

Quando possível, a análise da composição do cálculo, por espectroscopia ou química, também é recomendada, pois orienta com precisão as medidas preventivas e o tratamento.

Tratamentos disponíveis para pedra nos rins 

O tratamento depende de fatores como sintomas, tamanho, localização e quantidade de cálculos.

Cálculos pequenos (geralmente abaixo de 5 mm) têm maior chance de serem eliminados espontaneamente, e o acompanhamento com reavaliações periódicas pode ser suficiente. Para os demais, as opções incluem:

  • tratamento medicamentoso: analgésicos, antiespasmódicos e, em alguns casos, alfabloqueadores para facilitar a passagem do cálculo; medicamentos alcalinizantes para dissolver cálculos de ácido úrico;
  • litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO): procedimento não invasivo que fragmenta os cálculos com ondas de choque externas, permitindo a eliminação dos fragmentos pela urina;
  • ureterorrenolitotripsia (URSL): introdução de um endoscópio fino pela uretra até o ureter ou rim para identificar e fragmentar o cálculo com laser, atualmente o procedimento cirúrgico mais utilizado;
  • nefrolitotripsia percutânea: acesso direto ao rim por pequena incisão na pele, indicada para cálculos maiores ou de localização complexa.

Os procedimentos minimamente invasivos apresentam altas taxas de sucesso e baixas taxas de complicações.

Como prevenir novos episódios de cálculo renal 

Pessoas que já tiveram cálculo renal têm risco aumentado de recorrência: estima-se que entre 30% a 50% dos pacientes desenvolvam um novo episódio em 5 anos. Por isso, medidas preventivas são essenciais após o primeiro episódio.

1. Aumentar a ingestão de água (a medida mais eficaz):
A recomendação é ingerir líquidos em quantidade suficiente para produzir entre 2 e 2,5 litros de urina por dia. Estudos mostram que aumentar a ingestão hídrica pode reduzir a recorrência de cálculos entre 40% e 50%. Uma forma prática de monitorar a hidratação é observar a cor da urina, que deve permanecer clara ou levemente amarelada.

2. Reduzir o consumo de sal:
O excesso de sódio aumenta a excreção urinária de cálcio, favorecendo a formação de cálculos. É importante moderar o uso de sal na culinária e evitar alimentos ultraprocessados, que são as principais fontes ocultas de sódio.

3. Moderar o consumo de proteínas animais:
O consumo excessivo de carnes, aves e frutos do mar eleva os níveis de ácido úrico e reduz o citrato urinário, condição que favorece a formação de cálculos. A quantidade ideal deve ser avaliada individualmente com orientação médica ou nutricional.

4. Priorizar frutas, legumes e verduras:
Uma alimentação equilibrada, com boa oferta de frutas cítricas (laranja, limão), legumes e verduras, contribui para alcalinizar a urina e reduzir o risco de cálculos. O consumo adequado de cálcio pela dieta, e não por suplementos, também é recomendado.

5. Evitar bebidas muito açucaradas:
O consumo frequente de refrigerantes e sucos industrializados está associado a maior risco de formação de cálculos e deve ser evitado.

6. Não utilizar suplementos sem orientação médica:
Suplementos de vitamina C
em doses elevadas (geralmente suplementos acima de 1g/dia) podem aumentar a produção de oxalato no organismo, favorecendo a formação de cálculos de oxalato de cálcio. Suplementos de cálcio também devem ser usados somente com indicação profissional.

7. Manter peso saudável e praticar atividade física:
A obesidade é um fator de risco reconhecido para cálculo renal. A prática regular de atividade física e uma alimentação equilibrada contribuem para o controle do peso e para a redução do risco.

Dúvidas frequentes sobre cálculo renal 

Todo cálculo renal causa dor?
Não. Cálculos localizados nos rins e sem movimentação podem permanecer assintomáticos por anos e ser identificados apenas em exames de imagem solicitados por outros motivos. A dor, especialmente a cólica renal, aparece principalmente quando o cálculo se desloca e obstrui o ureter.

Cálculo renal pode causar perda do rim?
Sim. Quando não tratado, o cálculo pode causar obstrução prolongada do trato urinário, levando a alterações renais irreversíveis e, em casos graves, à perda funcional do rim. O risco é ainda maior quando há infecção associada.

Quando procurar atendimento médico com urgência?
Busque atendimento imediato em casos de dor lombar intensa de início súbito, sangue na urina, febre, calafrios, náuseas ou vômitos. A associação de cólica renal com febre representa uma emergência e não deve ser aguardada em casa.

Cálculo renal tem cura?
Os cálculos renais podem ser tratados e prevenidos. No entanto, por ser uma condição com alta taxa de recorrência, o acompanhamento médico continuado e a adoção de hábitos preventivos são fundamentais para evitar novos episódios.

Prevenção e acompanhamento são fundamentais

Ao descobrir a presença de um cálculo renal, é importante buscar avaliação médica especializada para investigar as causas, definir o tratamento adequado e estabelecer um plano preventivo individualizado. Medidas como hidratação adequada, alimentação equilibrada e investigação metabólica podem reduzir significativamente o risco de recorrência e preservar a saúde renal a longo prazo.

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