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Revisado por Dr. Marcelo Lopes, CRM (Bahia): 16939— Nefrologista | Atualizado em setembro de 2026
A diálise peritoneal é uma das modalidades de terapia renal substitutiva (TRS) disponíveis para pacientes com doença renal crônica (DRC) em estágio avançado, e uma das menos conhecidas do público, apesar dos benefícios que oferece. Diferentemente da hemodiálise convencional, ela pode ser realizada no próprio domicílio do paciente, sem a necessidade de deslocamento frequente a uma clínica de diálise.
No Brasil, a diálise peritoneal domiciliar ainda é subutilizada: segundo o Censo Brasileiro de Diálise 2024, da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), divulgado em 2025, a modalidade representa 5,6% dos pacientes prevalentes em terapia renal substitutiva (contra 87,3% em hemodiálise e 7,1% em hemodiafiltração). É um número que cresceu na última década após um período de queda, mas que ainda está longe do potencial que a técnica oferece — entidades de pacientes têm defendido a meta de alcançar 20% de adesão nos próximos anos.
Para quem vive com doença renal crônica e se aproxima do estágio em que a diálise se torna necessária, entender como a diálise peritoneal funciona, quais são suas vantagens, quem pode fazê-la e quais cuidados ela exige é fundamental para tomar uma decisão informada junto à equipe de nefrologia.
Neste artigo:
- O que é diálise peritoneal e como funciona
- Como o peritônio filtra o sangue
- Modalidades: DPAC e DPA — quais as diferenças
- Como é colocado o cateter peritoneal
- Vantagens da diálise peritoneal em casa
- Quem pode fazer diálise peritoneal
- Quem não pode ou deve ter avaliação cuidadosa
- Como é o treinamento e a rotina do paciente
- Possíveis complicações e como preveni-las
- Dúvidas frequentes sobre diálise peritoneal domiciliar
O que é diálise peritoneal e como funciona
A diálise peritoneal (DP) é um método de terapia renal substitutiva que utiliza o próprio organismo do paciente para filtrar o sangue, sem a necessidade de retirar o sangue do corpo, como ocorre na hemodiálise.
O processo funciona da seguinte forma: uma solução de diálise estéril (chamada de dialisato) é introduzida na cavidade abdominal por meio de um cateter. Dentro do abdômen, essa solução entra em contato com o peritônio — uma membrana natural que reveste os órgãos abdominais — e age como um filtro. Ao longo de algumas horas (o período de permanência, ou “dwell”), toxinas e resíduos metabólicos passam do sangue para a solução por difusão, enquanto o excesso de líquido é removido por ultrafiltração, um processo osmótico impulsionado pela concentração de glicose (ou, em algumas soluções, de icodextrina) do dialisato: quanto maior essa concentração, maior a remoção de líquido naquele ciclo. Após o período de permanência, a solução — agora carregada de toxinas e líquido — é drenada e substituída por solução nova, reiniciando o processo.
Por ser realizada de forma contínua (DPAC) ou automatizada durante a noite (DPA), a diálise peritoneal promove uma filtração mais gradual do que as sessões intermitentes de hemodiálise, o que costuma ser mais bem tolerado hemodinamicamente — especialmente por pacientes com risco de hipotensão durante as sessões.
Como o peritônio age como filtro natural
O peritônio é uma membrana semipermeável que reveste a cavidade abdominal e os órgãos internos. Sua extensa superfície de contato — estimada em cerca de 1 a 2 m², próxima à área de superfície corporal do paciente — e sua rica rede de capilares sanguíneos fazem dele uma estrutura naturalmente adequada para a troca de solutos e água entre o sangue e a solução de diálise.
A eficiência dessa troca varia de paciente para paciente, conforme as características de transporte da membrana peritoneal, e influencia diretamente a escolha da modalidade e da prescrição dialítica. Por isso, é rotina realizar o teste de equilíbrio peritoneal (TEP), geralmente após o início do tratamento, para classificar o paciente como transportador alto, médio-alto, médio-baixo ou baixo, e ajustar o esquema de trocas de acordo com esse perfil.
Modalidades de diálise peritoneal: DPAC e DPA
Existem duas formas principais de realizar a diálise peritoneal, e a escolha entre elas é feita em conjunto pelo paciente e pelo nefrologista, levando em conta o perfil de transporte peritoneal, a função renal residual, a rotina e as preferências do paciente:
- Diálise Peritoneal Ambulatorial Contínua (DPAC)
Também chamada de CAPD (do inglês Continuous Ambulatory Peritoneal Dialysis), é a modalidade manual. O paciente realiza cerca de 3 a 4 trocas de bolsas ao longo do dia, em horários que podem ser adaptados à sua rotina. Cada troca leva cerca de 30 a 40 minutos, e a solução permanece no abdômen por 4 a 6 horas entre as trocas diurnas, podendo o período noturno se estender por 8 a 12 horas. O processo ocorre por gravidade, sem necessidade de máquina. - Diálise Peritoneal Automatizada (DPA)
Também chamada de DPAA ou CCPD, utiliza uma máquina cicladora que realiza as trocas automaticamente durante a noite, enquanto o paciente dorme. A sessão dura em média 8 a 10 horas, com múltiplos ciclos programados pela cicladora. Durante o dia, dependendo da prescrição, o paciente pode ficar com o abdômen seco ou manter uma permanência longa (frequentemente com solução à base de icodextrina, que sustenta a ultrafiltração por mais tempo). É a modalidade com crescimento mais expressivo no Brasil nos últimos anos, em parte por oferecer maior liberdade para trabalho, estudos e vida social.
Em alguns casos, o nefrologista pode combinar elementos das duas modalidades (por exemplo, DPA com uma troca manual adicional durante o dia) para atingir as metas de remoção de toxinas e de líquido — a prescrição é individualizada e revista periodicamente.
Como é colocado o cateter peritoneal
Para realizar a diálise peritoneal, é necessário um cateter peritoneal — um tubo flexível de silicone implantado cirurgicamente no abdômen, por onde a solução de diálise entra e sai. O modelo mais utilizado é o cateter de Tenckhoff. A implantação pode ser feita por cirurgia aberta, laparoscopia ou técnica percutânea, com anestesia local, sedação ou geral, a depender da experiência do centro e das características do paciente.
Idealmente, aguarda-se um período de 2 a 4 semanas após a implantação para que o cateter cicatrize antes de ser utilizado em esquema pleno de diálise. Em situações de urgência clínica, o chamado início urgente da diálise peritoneal (“urgent-start PD“) permite usar o cateter em poucos dias, com volumes reduzidos e técnicas adaptadas para minimizar o risco de extravasamento.
Diferentemente da fístula arteriovenosa usada na hemodiálise, o cateter peritoneal não exige punções a cada sessão. Uma vez implantado e cicatrizado, permanece no local enquanto o paciente estiver em diálise peritoneal, exigindo apenas cuidados diários com o curativo do sítio de saída.
Vantagens da diálise peritoneal em casa
A diálise peritoneal domiciliar oferece benefícios concretos em comparação com a hemodiálise em clínica, especialmente para pacientes que buscam maior autonomia e continuidade da vida cotidiana:
- Tratamento em casa, sem deslocamentos frequentes
O paciente não precisa se deslocar três vezes por semana a uma clínica. O tratamento é realizado no próprio lar, o que reduz o impacto na rotina, no trabalho e na vida familiar. - Maior flexibilidade de horários
Especialmente na DPA, o tratamento acontece durante o sono, liberando o dia para atividades normais. Na DPAC, os horários das trocas podem ser adaptados à rotina do paciente. - Filtração mais contínua e gradual
Por ocorrer de forma contínua ou noturna, a diálise peritoneal promove remoção de toxinas e líquidos de forma mais gradual, o que costuma ser melhor tolerado hemodinamicamente — um ponto relevante em pacientes com diabetes, doença cardiovascular ou pressão arterial instável. - Possível preservação mais prolongada da função renal residual
Estudos observacionais sugerem que a diálise peritoneal está associada à preservação da função renal residual por mais tempo, em comparação com a hemodiálise — um fator associado a melhor qualidade de vida e a desfechos clínicos favoráveis. Vale notar que essa evidência vem principalmente de estudos de coorte e registros, não de ensaios clínicos randomizados comparando diretamente as duas modalidades. - Ausência de acesso vascular
Por não depender de fístula ou cateter venoso, a diálise peritoneal elimina as complicações associadas a esses acessos (trombose, estenose, infecções de corrente sanguínea). Isso não significa ausência de risco infeccioso: a DP tem seus próprios riscos, como peritonite e infecção do óstio de saída, discutidos mais adiante. - Indicação frequentemente preferencial em crianças e pode ser vantajosa em idosos
Em crianças pequenas, sobretudo lactentes, nas quais o acesso vascular é tecnicamente difícil, a diálise peritoneal costuma ser a modalidade de escolha. Em idosos, também pode ser vantajosa por evitar a instabilidade hemodinâmica associada às sessões intermitentes de hemodiálise, embora a decisão dependa da capacidade de autocuidado ou da disponibilidade de suporte (inclusive por meio de diálise peritoneal assistida — ver a seguir).
Quem pode fazer diálise peritoneal
Em princípio, a diálise peritoneal é uma opção para pacientes com doença renal crônica em estágio 5 (fase avançada que exige terapia substitutiva) ou com lesão renal aguda que necessite de diálise, desde que não existam contraindicações específicas.
Em termos práticos, costuma ser especialmente indicada para:
- pacientes que valorizam autonomia e independência no tratamento;
- pessoas com dificuldade de acesso vascular para hemodiálise;
- pacientes com diabetes ou doença cardiovascular que se beneficiam de uma filtração mais gradual;
- crianças, especialmente em faixas etárias menores;
- idosos com instabilidade hemodinâmica nas sessões de hemodiálise;
- pacientes que moram longe de centros de diálise, já que o tratamento domiciliar reduz a necessidade de deslocamento.
Para realizar a diálise peritoneal em casa, o paciente — ou um familiar/cuidador próximo — precisa ter condições de aprender e executar os procedimentos com segurança. A motivação, a capacidade de seguir protocolos de higiene e o suporte familiar são fatores avaliados pela equipe antes de indicar a modalidade. Quando o paciente não tem essas condições de forma independente, mas ainda assim é elegível clinicamente, algumas equipes oferecem a diálise peritoneal assistida, em que um cuidador treinado, um técnico de enfermagem ou uma equipe de assistência domiciliar realiza total ou parcialmente as trocas — uma alternativa que amplia o acesso à modalidade, sobretudo para idosos frágeis ou pessoas com limitações funcionais, ainda que disponível de forma desigual entre os serviços no Brasil.
Quem não pode ou deve ter avaliação cuidadosa
A contraindicação absoluta clássica é a perda documentada de função da membrana peritoneal — situação em que o peritônio não consegue mais realizar filtração e ultrafiltração adequadas. Também costumam ser consideradas contraindicações absolutas as aderências abdominais extensas que impedem a distribuição do dialisato pela cavidade e a incapacidade de realizar a técnica com segurança, sem que haja suporte familiar, de cuidador ou de diálise peritoneal assistida disponível.
Existem, além disso, situações que exigem avaliação individualizada antes de indicar a técnica, por representarem contraindicações relativas:
- aderências abdominais menos extensas decorrentes de cirurgias anteriores;
- hérnias abdominais não corrigidas;
- infecções ativas ou lesões extensas da parede abdominal;
- doenças inflamatórias intestinais graves em atividade (como doença de Crohn) ou isquemia intestinal;
- obesidade importante, que pode dificultar tecnicamente o manejo do cateter e a eficiência da troca, mas não impede o tratamento por si só;
- ostomias ou colostomias próximas ao possível sítio de implantação do cateter.
Vale reforçar: a maioria dessas situações é contraindicação relativa, não absoluta — ou seja, pode ser contornada dependendo da motivação do paciente, das características clínicas e da experiência do centro de diálise. A avaliação é sempre individualizada e conjunta entre nefrologista, cirurgião e, quando indicado, equipe de enfermagem especializada em DP.
Como é o treinamento e a rotina do paciente
Antes de iniciar a diálise peritoneal em casa, o paciente passa por um treinamento estruturado, geralmente conduzido por enfermeiro especializado em diálise peritoneal, no próprio centro de nefrologia. O treinamento costuma abranger, entre outros pontos:
- como preparar o ambiente para as trocas (local limpo, bem iluminado e com boa ventilação);
- a técnica de conexão e desconexão do cateter, com ênfase em higiene das mãos e uso de máscara para reduzir contaminação;
- como manusear e inspecionar as bolsas de solução (verificar validade, transparência e ausência de vazamentos);
- como identificar sinais de alerta, como dialisato turvo, dor abdominal ou febre;
- como registrar volume drenado, balanço hídrico e características do dialisato, além de pesar-se e aferir a pressão arterial regularmente.
Um familiar ou cuidador próximo deve participar do treinamento sempre que possível, para oferecer suporte e garantir a continuidade do tratamento em situações de necessidade — inclusive em eventuais internações ou intercorrências.
Após o início do tratamento domiciliar, o paciente realiza consultas periódicas no centro de nefrologia para avaliação clínica, ajuste da prescrição dialítica (com base em exames como Kt/V peritoneal e teste de equilíbrio peritoneal) e exames laboratoriais de rotina, incluindo avaliação nutricional.
Possíveis complicações e como preveni-las
Como qualquer modalidade de diálise, a diálise peritoneal pode apresentar complicações. Conhecê-las ajuda o paciente a identificar sinais de alerta precocemente:
- Peritonite
É a complicação infecciosa mais relevante da diálise peritoneal, geralmente decorrente de contaminação durante a técnica de troca (na maioria das vezes por bactérias da própria pele do paciente). Os sinais de alerta clássicos são dialisato turvo, dor abdominal e febre. O diagnóstico é confirmado pela contagem de células e cultura do dialisato, e o tratamento inicial costuma ser feito com antibióticos por via intraperitoneal (adicionados às bolsas de diálise), ajustados conforme o resultado da cultura. As diretrizes internacionais (ISPD) estabelecem como meta uma taxa inferior a cerca de 0,4 episódio por paciente-ano; casos graves, recorrentes ou fúngicos podem exigir retirada do cateter e transferência temporária ou definitiva para hemodiálise. - Infecção do óstio e do túnel do cateter
São infecções localizadas na saída do cateter na pele (óstio) ou no trajeto subcutâneo (túnel), geralmente causadas por bactérias da pele. São prevenidas com higiene rigorosa e cuidados diários com o curativo, e podem ser um fator de risco para peritonite se não tratadas precocemente. - Complicações mecânicas
Incluem mau posicionamento ou migração do cateter, obstrução por fibrina, extravasamento (vazamento) de dialisato pela incisão e hérnias novas ou agravamento de hérnias preexistentes, relacionadas ao aumento da pressão intra-abdominal pelo volume de dialisato. São mais comuns no período inicial de uso do cateter. - Alterações nutricionais
A diálise peritoneal causa perda diária de proteínas e aminoácidos pelo dialisato, o que pode contribuir para desnutrição ao longo do tempo caso a ingestão proteica não seja ajustada — por isso, recomenda-se, em geral, uma ingestão proteica mais alta do que a de pacientes sem doença renal (orientada individualmente pela equipe de nutrição). O acompanhamento nutricional é parte fundamental do cuidado em DP. - Alterações metabólicas e lipídicas
A absorção de glicose do dialisato pode contribuir para ganho de peso, piora do controle glicêmico em diabéticos e dislipidemia ao longo do tratamento, o que deve ser monitorado e tratado conforme orientação médica.
A principal forma de prevenir complicações é o cumprimento rigoroso da técnica e dos protocolos de higiene ensinados durante o treinamento, além do acompanhamento clínico regular.
Dúvidas frequentes sobre diálise peritoneal domiciliar
A diálise peritoneal é tão eficaz quanto a hemodiálise?
De modo geral, sim: estudos de coorte e dados de registros não mostram diferença consistente de sobrevida entre as duas modalidades na população geral de pacientes — em parte dos estudos, a diálise peritoneal apresenta até uma vantagem de sobrevida nos primeiros anos de tratamento. Não existem ensaios clínicos randomizados comparando diretamente as duas modalidades, então a evidência tem essa limitação. Na prática, a escolha deve ser baseada no perfil clínico do paciente, nas contraindicações de cada técnica e em suas preferências de vida, não em uma suposta superioridade geral de um método sobre o outro.
Posso trabalhar ou estudar fazendo diálise peritoneal?
Sim — essa é uma das principais vantagens da modalidade, especialmente na DPA. Com o tratamento realizado durante a noite, o dia fica disponível para atividades normais, incluindo trabalho, estudos e vida social.
Posso viajar fazendo diálise peritoneal?
Sim, com planejamento. É preciso organizar com antecedência o transporte e o armazenamento das bolsas de diálise no destino (elas exigem cuidados de temperatura). O centro de nefrologia pode ajudar com a logística e, se necessário, indicar contatos de serviços de saúde no local de destino.
Posso ter animais de estimação em casa?
Sim, mas os animais não devem ter acesso ao ambiente ou ao momento das trocas, nem ao local de armazenamento do material de diálise. Um cuidado adicional vale para gatos: a bactéria Pasteurella multocida, presente na saliva felina, já foi associada a casos de peritonite em pacientes de DP, então recomenda-se manter gatos afastados durante a troca e evitar contato do cateter com o animal.
A diálise peritoneal é disponível pelo SUS?
Sim. Tanto a DPAC quanto a DPA são modalidades cobertas pelo Sistema Único de Saúde, com fornecimento das bolsas de dialisato e dos equipamentos necessários — embora o acesso possa variar conforme a região e a disponibilidade de serviços especializados.
Posso migrar da diálise peritoneal para a hemodiálise, ou vice-versa?
Sim. A mudança de modalidade é possível e, às vezes, necessária ao longo do tratamento — por exemplo, em caso de perda de função peritoneal, peritonites recorrentes ou mudança nas condições clínicas ou de vida do paciente.
Uma escolha que pode transformar a rotina do paciente renal
A diálise peritoneal domiciliar é uma modalidade eficaz e segura, que oferece ao paciente com doença renal crônica algo valioso: a possibilidade de tratar-se em casa, com mais autonomia e menor impacto na rotina diária. Apesar de ainda ser subutilizada no Brasil, sua expansão é uma meta discutida entre sociedades médicas, gestores do sistema de saúde e associações de pacientes renais.
Se você ou alguém próximo está se aproximando da necessidade de diálise, converse com o nefrologista sobre todas as opções disponíveis, incluindo a diálise peritoneal. A decisão mais adequada é sempre aquela tomada com informação completa, considerando as contraindicações clínicas e o perfil de vida de cada paciente.