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Revisado por Dr. Marcelo Lopes, CRM (Bahia): 16939 — Nefrologista | Atualizado em junho de 2026
Junho Vermelho é o mês de conscientização sobre a importância da doação de sangue no Brasil. A campanha, criada em 2015, ganha destaque especial no dia 14 de junho, o Dia Mundial do Doador de Sangue, data instituída pela Assembleia Mundial da Saúde em 2005 para celebrar os doadores e incentivar a prática voluntária e regular.
Mas a doação de sangue não diz respeito apenas a acidentes e cirurgias. Pacientes com doença renal crônica também podem precisar de transfusões sanguíneas, especialmente quando desenvolvem anemia, uma das complicações mais frequentes da doença renal. E quem vive com doença renal costuma ter dúvidas sobre o próprio papel nessa corrente de solidariedade: afinal, quem tem doença renal pode doar sangue?
Neste artigo, respondemos a essas e outras perguntas sobre a relação entre doação de sangue e saúde renal.
Neste artigo:
- O que é o Junho Vermelho
- Por que a doação de sangue é importante
- Qual a relação entre doença renal e transfusão sanguínea
- Quem tem doença renal pode doar sangue?
- Mitos e verdades sobre a doação de sangue
- Como se tornar um doador: requisitos e próximos passos
O que é o Junho Vermelho
O Junho Vermelho é uma campanha nacional de conscientização dedicada à doação voluntária de sangue. Criada no Brasil em 2015 e integrada ao calendário do Dia Mundial do Doador de Sangue (14 de junho), a iniciativa busca mobilizar a população em um dos períodos mais críticos para os hemocentros: o início do inverno, quando as doações costumam cair expressivamente pela maior incidência de doenças respiratórias, pelo período de férias escolares e pela redução no comparecimento de doadores.
A campanha chama atenção para um dado preocupante: apenas 1,4% a 1,6% da população brasileira doa sangue regularmente, percentual que, embora esteja dentro do intervalo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), representa um volume insuficiente para garantir estoques estáveis ao longo de todo o ano. Em algumas regiões, os bancos de sangue podem operar até 30% abaixo do nível considerado ideal nos meses de inverno.
Por que a doação de sangue é importante
Não existe substituto artificial para o sangue humano. Por isso, os hemocentros dependem exclusivamente da solidariedade dos doadores para atender às necessidades da população.
Uma única bolsa de sangue doada pode beneficiar até quatro pessoas, já que o sangue coletado é fracionado em diferentes componentes (hemácias, plaquetas e plasma) utilizados conforme a necessidade clínica de cada paciente. Em 2024, o Brasil registrou 3,31 milhões de coletas de sangue, mas a meta da OMS é que pelo menos 3% da população seja doadora, quase o dobro do percentual atual.
O sangue coletado é utilizado em situações como:
- atendimentos de urgência e emergência;
- cirurgias de grande porte;
- tratamentos oncológicos;
- doenças hematológicas como anemia falciforme e talassemia;
- complicações obstétricas;
- doenças crônicas que podem exigir transfusões periódicas.
A manutenção dos estoques é fundamental para garantir que o sangue esteja disponível sempre que necessário, não apenas em situações emergenciais, mas no cuidado contínuo de pacientes em tratamento.
Qual a relação entre doença renal e transfusão sanguínea
Pacientes com doença renal crônica (DRC) têm uma relação particular com a doação de sangue: embora muitos não possam ser doadores, parte deles pode, em algum momento do tratamento, precisar receber uma transfusão.
Isso acontece porque os rins produzem um hormônio chamado eritropoetina, responsável por estimular a produção de glóbulos vermelhos na medula óssea. Quando a função renal diminui, a produção desse hormônio também cai, favorecendo o surgimento de anemia, uma das complicações mais frequentes da DRC.
Na maioria dos casos, a anemia é tratada com reposição de ferro e medicamentos estimuladores da eritropoiese. No entanto, em situações de anemia grave ou refratária ao tratamento, pode ser necessária uma transfusão sanguínea para corrigir rapidamente os níveis de hemoglobina e garantir a estabilidade clínica do paciente.
Um ponto importante para pacientes candidatos a transplante renal: transfusões repetidas podem causar sensibilização imunológica, ou seja, o organismo pode desenvolver anticorpos contra antígenos do doador, dificultando a compatibilidade com futuros doadores de rim. Por isso, a indicação de transfusão nesses casos é sempre cuidadosamente avaliada pela equipe médica.
Quem tem doença renal pode doar sangue?
De forma geral, pessoas com doença renal crônica (DRC) são consideradas inaptas definitivas para a doação de sangue. A restrição visa proteger o próprio paciente (evitando piora da anemia) e garantir a segurança do receptor.
É importante deixar claro que essa avaliação é sempre individualizada. Cada candidato à doação passa por uma triagem clínica realizada pelos profissionais do hemocentro, que analisa condições de saúde, medicamentos em uso e outros critérios técnicos antes de definir a aptidão.
Caso você tenha doença renal e tenha dúvidas sobre a possibilidade de doação, o ideal é entrar em contato diretamente com o hemocentro mais próximo antes de comparecer, para verificar os critérios aplicáveis à sua situação.
Mitos e verdades sobre a doação de sangue
A doação de sangue ainda gera dúvidas e receios que afastam possíveis doadores. Confira os esclarecimentos mais importantes:
Doar sangue dói muito?
Mito. A coleta causa apenas um desconforto leve, semelhante ao de um exame de sangue de rotina. O processo completo dura cerca de 40 minutos, desde o cadastro até a liberação do doador.
É possível contrair alguma doença ao doar sangue?
Mito. Todo o material utilizado é estéril, descartável e de uso único. Não há risco de contaminação para o doador durante a coleta.
É preciso estar em jejum para doar?
Mito. O recomendado é estar alimentado e bem hidratado antes da doação. É importante evitar alimentos gordurosos nas 3 horas anteriores à coleta.
Doar sangue causa fraqueza permanente?
Mito. O organismo repõe o volume coletado rapidamente. Após a doação, recomenda-se reforçar a hidratação e evitar esforços físicos intensos no mesmo dia.Pessoas com tatuagem podem doar sangue?
Depende. Tatuagens e piercings não impedem definitivamente a doação, mas é necessário respeitar o período de espera de 1 ano após o procedimento dependendo das condições do procedimento, conforme avaliação do hemocentro.
Quem recebeu transfusão de sangue pode doar?
Não imediatamente. Quem recebeu transfusão de sangue ou fez hemodiálise deve aguardar 1 ano antes de ser avaliado para doação.
Como se tornar um doador: requisitos e próximos passos
Para ser doador de sangue no Brasil, é necessário atender a alguns critérios básicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde:
- ter entre 16 e 69 anos (menores de 18 anos precisam de autorização formal do responsável legal; a primeira doação deve ocorrer antes dos 60 anos);
- pesar no mínimo 50 kg;
- estar em boas condições de saúde;
- ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas;
- estar alimentado (evitar alimentos gordurosos nas 3 horas anteriores);
- apresentar documento oficial com foto.
Antes da coleta, todos os candidatos passam por uma triagem clínica individual, que avalia condições de saúde, uso de medicamentos, cirurgias recentes, viagens e outros fatores que podem influenciar a aptidão para a doação.
Para encontrar o hemocentro mais próximo, acesse o site do Ministério da Saúde ou procure a Fundação Pró-Sangue, a Hemorrede do seu estado ou os hemocentros universitários da sua região.
Um gesto que ajuda a salvar vidas
A doação de sangue é um ato simples, seguro e essencial para o funcionamento do sistema de saúde. Durante o Junho Vermelho, a conscientização sobre esse gesto ganha ainda mais relevância.
Para pacientes com doença renal crônica que precisam de transfusões em algum momento do tratamento, a disponibilidade de sangue nos hemocentros pode representar estabilidade clínica, continuidade do cuidado e mais qualidade de vida. Cada doador faz parte dessa corrente.
Se você está apto para doar, procure o hemocentro da sua região e contribua com esse ato de solidariedade que salva até quatro vidas por bolsa coletada.

